Postura, Posição ou Pose

Postura pose posição - capa

A leitura contínua que fazemos de nós mesmos, são parâmetros que guiam o movimento: a postura.

Você se dirige à saída da sala, mas há um grupo de pessoas no caminho. A maneira como você encara o problema produz uma experiência emocional que dispara sinais para a periferia do corpo (músculos, coração, vasos sanguíneos, glândulas adrenais e supodoríparas), iniciando respostas individuais que irão interferir sobre o modo de execução do movimento.

Por outro lado, a experiência da emoção só ocorre após certas mudanças fisiológicas terem tomado conta do corpo. O que sentimos deve-se à nossa interpretação sobre alterações na pressão arterial, freqüência respiratória e concentração de certos hormônios no sangue, por exemplo.

Eric Kandel - Nobel de Medicina

Eric Kandel – Nobel de Medicina

“É precisamente a experiência cognitiva da emoção (sentido atribuído por nós aos sinais do corpo) e não a emoção em si (como o aumento da concentração de adrenalina no sangue), que desencadeia muitas das respostas musculoesqueléticas levadas a cabo por nós”

Situada entre sujeito e objeto, apreciando continua e sistematicamente as alterações do corpo, a consciência torna inteligível os sinais eletroquímicos provenientes da periferia e provoca respostas condizentes aos estímulos recebidos.  Surgem desta leitura contínua que fazemos de nós mesmos, os parâmetros que guiam o movimento: a postura.

Não é difícil observar o quanto a postura de uma pessoa cheia de energia e bem-estar difere daquela assumida pelo indivíduo deprimido. A partir daqui, desenha-se claramente a possibilidade de que mudanças posturais, desencadeadas por exercícios físicos, influenciem determinantemente instâncias cognitivas e emocionais do indivíduo, promovendo mudanças significativas em seu modo de ser e estar no mundo.

Postura pose posição - diferenças

Entendendo as diferenças

Posição – pressupõe uma ação que virá logo a seguir de sua execução. Estamos preparados esperando que algo aconteça.

Ex: estamos numa posição quando estamos preparados para uma ação: posição de largada, posição de ataque, posição de defesa, posição de recepção.

Se você estiver num asana, imaginando que vai sentir isso ou aquilo, não está numa postura, está numa posição. Se você estiver sentado para uma prática meditativa e esperar que algo sobrenatural aconteça, estará perdendo seu tempo, por que essa expectativa já é um atrapalhador para aquietar sua mente.

Pose – pressupõe uma demonstração corporal de algo que gostaria que os outros interpretassem. Estou dependendo da apreciação do outro para obter sucesso. Nos dicionários, a palavra pose passa pelos conceitos de “artificialidade, fingimento, simulação”.

Postura – é a atitude que tomamos para realizar uma ação com o menor esforço possível. A ação da  postura (asana) está simplesmente na sua execução, não estamos esperando acontecer nada nem queremos impressionar ninguém. Treinamos estabilidade com o relaxamento do esforço. Estabilidade é imobilidade que é sinônimo de inatividade.

A atividade que está por trás da imobilidade é o que chamamos de yoga. Com o tempo, o praticante diminui cada vez mais o esforço no asana, e é por isso que consegue aumentar o tempo de permanência.

Treinar um asana não significa mantê-lo, mas sim senti-lo. Treinamos a consciência da imobilidade, portanto, não basta não se mexer, temos de sentir que não nos mexemos, mais do que isso, é não sequer ter a intenção de se mexer.

A diferença entre pose, postura ou posição é apenas interna, só você sabe o que está praticando.

 

Postura: Adho Mukha

Postura: Adho Mukha

Fontes: Estudio de Yoga & Pilates / Yoga na Móoca

 

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Praticar Yoga atenua os sintomas da TPM

Yoga diminui efeitos da TPMDurante o período menstrual, índias de tribos amazônicas permanecem afastadas dos afazeres cotidianos, abrigadas em ocas separadas da tribo e de onde saem apenas para tomar banho de rio. O que pode parecer sexismo ou simples discriminação aos nossos olhos, trata-se do respeito à natureza da mulher e entendimento sobre a particularidade do momento para ela e toda a tribo.

Alterações hormonais combinadas a fatores psicológicos, genéticos, nutricionais e comportamentais, resultam em mais de 150 sintomas que se manifestam de formas tão diferentes quanto depressão, amnésia, dores lombares e insônia. Se carregar essa fartura de sintomas todos os meses não é fácil para as mulheres, também não costuma ser para quem convive ao seu redor.

Primeiramente, a prática regular de Yoga atenua os sintomas da TPM ao submeter as respostas do sistema nervoso, que passam por uma verdadeira tempestade durante essa época do mês, a auto-análise. Quem está acostumado a observar o próprio corpo durante a prática de Yoga não sentirá dificuldade em guardar distância frente às mudanças decorrentes das alterações hormonais neste período e terá melhores condições de administrá-las durante os momentos de crise. Esse entendimento vale tanto para ela quanto para quem convive com ela.

Não faz muito tempo ficou provado que a TPM não resulta apenas de alterações hormonais (1998, New England Journal of Medicine), mas a uma resposta incomum a alterações dos níveis hormonais que levam em consideração stress, hipoglicemia, deficiência nos níveis de vitamina B6 e endorphina, dentre outros.

Supta Badakonasana

Supta Badakonasana

Os fatores físicos não devem ser desprezados e algumas posturas de Yoga que enfocam a região pélvica e abdominal como Supta Badakonasana e Sethu-bandha Sarvangasana, por exemplo, aumentam o fluxo sanguíneo na região uterina e regulam o fluxo menstrual sem por em risco a saúde da mulher.

As torções realizam a compressão mecânica das vértebras e seus discos, eliminando as tensões acumuladas nos forames intervertebrais, promovendo maior irrigação das raízes nervosas, o que é benéfico tanto como suprimento de oxigênio e suprimentos energéticos quanto para eliminar os resultantes tóxicos do funcionamento corporal, como ácidos e gás carbônico. Posturas como Marychiasana estimulam o sistema nervoso são ótimas para se iniciar uma série.

Pranaiama - exercícios respiratórios

Pranaiama – exercícios respiratórios

Junto à prática de ásanas, os exercícios respiratórios (pranayamas) são excelentes aliados para atenuar os sintomas da TPM. A respiração consciente dos pranayamas acentuam os estímulos parasintáticos do Sistema Nervoso acalmando e reduzindo o medo e ansiedade.

O maior controle sobre os impulsos e o aprimoramento da capacidade de observação (percepção corporal e auto-análise) decorrentes da prática regular de Yoga, contribuem não apenas para quem carrega os sintomas da TPM, mas também para quem está ao seu lado e que passa a desfrutar de uma maior consciência de suas reações.

 

Fonte: Estúdio Yoga & Pilates

 

Eu não sei respirar

La jaunisse, illus. A. Dahan (Le Livre de Sante, v.6, 1967)

La jaunisse, illus. A. Dahan (Le Livre de Sante, v.6, 1967)

A pele estabelece a primeira fronteira entre nós e o mundo. Da distinção entre o corpo e seu entorno, surge aquilo que passaremos a chamar de “eu”.  Assim, os órgãos do sentido farão a ponte que atualiza, redefine e forja as representações que fazemos do meio, fornecendo a matéria-prima para a memória, o raciocínio e o pensamento.

O input sensorial não se limita apenas aos receptores que se encontram nos órgãos sensoriais. Quimioreceptores monitoram continuamente a concentração de oxigênio no sangue e determinam alterações na frequência e profundidade da respiração. Proprioceptores encontrados nos fusos musculares, tendões e articulações discriminam a posição e o movimento articular. Barorreceptores presentes no arco aórtico distinguem a pressão arterial pela distensão vascular. Os neurônios entéricos mantêm a coordenação das funções digestivas em harmonia com os comandos recebidos do sistema nervoso central.

Não ter controle sobre processos inconscientes, enfim, não implica em afirmar que estes processos não influem na consciência. Podemos afirmar com tranquilidade que tato, olfato, audição, paladar e visão representam uma fração das informações que irão alimentar nossas representações, corroborando ou invalidando aquilo que, na maioria das vezes, já percebemos ou sabemos por outras vias.

A ideia de alteridade em relação ao mundo, não é tão explícita quanto a apresentada pela nossa constituição física.  A pele não é uma trincheira cavada entre o corpo e o mundo, mas um contorno difuso, uma maneira de nos organizarmos nos espaço. Interagimos profundamente com o meio, sofrendo e promovendo mudanças, sentindo dor, bem-estar, tensão, desconforto, etc., e reagindo aos estímulos recebidos.  É a integração de informações provenientes de diversos canais, que irão costurar os segmentos e órgãos do corpo em um indivíduo unificado.

Movimentos Respiratórios

Movimentos Respiratórios

A precisão das informações sobre o estado interno do organismo é um componente crítico para a preservação da saúde e relaciona-se diretamente com o equilíbrio geral do organismo (homeostase).  Assim como deixamos de enxergar ao apagar das luzes, ruídos nos sinais que vêm de dentro do corpo levam-nos a desenvolver uma experiência alterada em relação a nós mesmos.  Sentir dores sem lesão associada ou potencial, ter medo sem estar sob ameaça ou sentir falta de ar sem comprometimento respiratório, apontam para o colapso da experiência subjetiva.

Não há praticamente como interferir de maneira deliberada em processos não-conscientes, refazendo o caminho entre instâncias cognitivas e nosso estado interno. Mas podemos detalhar parte daquilo que fazemos de maneira reflexa, no intuito limpar os ruídos que interferem em nossa relação com o próprio corpo, aprimorando nossa consciência corporal.

Neste contexto, a respiração é um ato privilegiado onde a ação voluntária e a metabólica (involuntária) coexistem. A congruência entre o automático e o somático no sistema respiratório, apresenta um ambiente propício para melhorar a interpretação dos impulsos que vêm de dentro do corpo.

Não é possível dissociar respiração e postura. A eficiência da primeira depende do equilíbrio da última. 

Building Blocks of Nervous Systems, illus. Paul Slick

Building Blocks of Nervous Systems, illus. Paul Slick

As práticas de Yoga e Pilates incorporam sistematicamente em seus exercícios o controle sobre a ventilação pulmonar. Restringindo, sincronizando e modificando padrões autômatos. Aprendemos, através da interferência nos processos reflexos, a aprimorar os sentidos sobre a condição fisiológica de todo o corpo.

Chamadas de Pranayama, as práticas de controle respiratório têm objetivos específicos, mas em princípio, todas demandam atenção e disciplina. “Pranayama é uma arte e depende de técnicas para fazer com que os órgãos do sistema respiratório movam-se intencionalmente, ritimadamente e intensamente”  – B.K.S. Yengar.