Dicas saudáveis para os dias de festa

Dicas saudáveis em dias de festa

Adoção de um estilo de vida saudável inclui a rotina de exercícios e melhorias sua alimentação. Evitar erros na educação alimentar, além de aprendermos a comprar melhor os tantos tipos de alimentos, são os primeiros passos na busca de um bem estar do corpo. Falamos então de um processo de reeducação comportamental.

Mas tudo poder ir água abaixo quando saímos desse cenário controlado por nós. Festas, barzinho com amigos, restaurantes e coffee breaks na empresa podem aguçar nossa fome de maneira irregular. Mas é possível comparecer em todos esses eventos, sem ficar com a sensação de culpa depois.

Abaixo, veja algumas dicas para não cair em tentações e gulodices:

1. Faça um lanche saudável antes da festa, assim você evita comer tudo o que vê pela frente, mesmo sem estar com muita vontade.

2. Preste atenção no que está comendo ou bebendo, pois com a animação, geralmente perdemos a noção do que comemos, assim você terá mais controle do que come na festa e principalmente irá se sentir satisfeito com o que come.

3. Tenha prazer com cada escolha, saboreie deliciosamente, e não fique pensando na próxima porção que será servida.

4. O mais importante é concentrar-se no que consumiu, e não ficar pensando no que não consumiu.

5. Não faça da comida a principal atração da festa. Divirta-se! Desvie o seu foco da comida conhecendo pessoas novas, dançando e conversando.

6. Se sentiu que comeu muito na festa, não inicie um jejum e nem fique se sentindo culpado. A alimentação saudável não se resume a uma refeição, assim só é necessário que faça escolhas mais saudáveis durante as outras refeições.

7. Lembre-se que o álcool engorda mais que carboidrato ou proteína. Assim, se consumir, o faça com muita moderação.

 

Fonte: site Abeso (Associação Brasilieria para o Estudo da Obesidade)

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A postura enquanto dirigimos

Postura enquanto dirigimosSaber identificar a melhor posição para o assento do motorista pode trazer conforto e segurança. Com pequenos cuidados, podemos conquistar o prazer que é dirigir.

Mais que apenas conforto, o ritual de ajustar a postura do motorista ao veículo que conduzirá, envolve saúde e a segurança dos passageiros também. Com o banco bem acertado, o motorista tem a força necessária nos braços para desviar com rapidez de um buraco ou evitar um atropelamento. O alinhamento do cinto de segurança agirá com maior eficácia em caso de colisão, além de uma ajuda na redução do cansaço do corpo, dores musculares e poupa a coluna.

“A posição incorreta do condutor, aliada à vibração do veículo, provoca uma fadiga muscular intensa que pode levar a lesões vertebrais graves”, diz o médico Dirceu Rodrigues Alvez, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet).
Não existe apenas uma posição ideal. Às vezes você consegue o mesmo efeito com diferentes combinações de ajustes. A mudança de postura é aconselhada  após longo tempo ao volante, assim o esforço é trocado e evita sobrecarregar determinada parte do corpo. Uma leve mudança na inclinação do encosto pode resolver. Assim como fazer uma pausa de alguns minutos a cada duas ou três horas.

Faça o teste. Sem tirar as costas do banco, verifique se os comandos do painel e a alavanca de câmbio estão à mão e fáceis de usar. Se os instrumentos podem ser visualizados com facilidade e se o cinto de segurança está justo e não causa incômodo. Tudo certo? Agora é só dar a partida.

Dicas valiosas para quem passa muito tempo no trânsito:

Posicione a faixa superior do cinto bem no meio do ombro. Assim, numa batida, não há risco de ele enforcar o motorista ou escapar do peito.

Posicione a faixa superior do cinto bem no meio do ombro. Assim, numa batida, não há risco de ele enforcar o motorista ou escapar do peito.

1 – Mantenha a cabeça alinhada com o quadril, nem projetada para frente, nem inclinada para trás. Numa posição mais neutra, você diminuirá o desconforto e cansaço no pescoço;

2 – Na loucura do trânsito ficamos tensos. Mantenha os ombros relaxados e na mesma linha. Não dirija com os ombros elevados;

3 – Mantenha os cotovelos o mais próximo possível do corpo e dobrados a pouco mais de 90º;

4 – Mantenha a parte de baixo das costas (região lombar) bem apoiada no encosto, conservando a curvatura natural da coluna;

5 – Mantenha o quadril com um ângulo de pouco mais de 90º. Para isso, regule corretamente a inclinação do encosto, mantendo-o levemente inclinado para trás;

Postura enquanto dirigimos - 3 dedos atrás da parte de trás dos joelhos

Mantenha um espaço de 3 dedos na parte de trás dos joelhos.

6 – Mantenha os joelhos dobrados a pouco mais de 90º e deixe um espaço de cerca de três dedos entre o banco e a parte de trás de seu joelho (evite pressionar musculatura e a circulação nessa área);

7 – Enquanto usa os pés nos pedais, apoie os pés no assoalho;

8 – Distribua o peso do seu corpo entre o quadril e a parte de trás das coxas.

 

Fontes:

Escola de Postura / Ergotríade

Aprender a dizer adeus faz bem

Existem momentos na vida que nos leva a conclusão de ciclos. Em diferentes graus, todo ser humano tem dificuldade de colocar o ponto final. É preciso coragem para dizer adeus.

Tiremos a carga negativa que gira em torno da despedida. Por si só, adeus não quer dizer desistência, abandono ou fracasso: essas são interpretações atribuídas por nós mesmos.

Já ouviu falar de ecdise? Trata-se da mudança periódica de casca dos artrópodes. O esqueleto externo, rígido, limita o crescimento. De tempos em tempos, ele deixa a casca velha para formar uma nova e mais folgada. É sua estratégia evolutiva.

Assim também é conosco: as experiências vividas dia a dia vão nos alargando interiormente. Até o instante em que as escolhas antigas tornam-se obsoletas e novas se fazem necessárias mesmo que seja para continuar na trajetória anterior (no casamento, na carreira, naquele modo de viver), mas com outra presença e outros paradigmas.

Adeus faz bem 3

Existe hora certa?

Geralmente o fim começa com um forte chamado interior, como se uma parte bastante profunda de você o conduzisse para um rumo um tanto indefinido. “Aos poucos, aquele caminho vai fazendo sentido”, afirma a psicóloga junguiana Regina Nanô, de São Paulo.

“O verdadeiro adeus surge quando a pessoa já entendeu qual é seu destino e refletiu muito a respeito do que precisa se desembaraçar para seguir adiante em seu caminho”, afirma a filósofa Dulce Critelli, professora da PUC de São Paulo. Para ela, a lucidez na finalização de um ciclo indica um importante sinal de maturidade: o indivíduo compreende que é responsável pela própria existência.

Adeus faz bem 1

Ganhos, não perdas

O medo da perda dificulta essa tomada de decisão. Especialmente pela constatação de que deixaremos para trás uma parte de nós mesmos, o que fomos para sermos o que somos agora. Junto com toda renúncia há sempre um ganho e um aprendizado, que aos poucos se dão a conhecer. Mas como isso nem sempre é evidente, vem a angústia.

Especialistas comparam o processo de encerramento de um ciclo à experiência do luto. Há o choque inicial, o período de negação ou dúvida e o momento em que sentimentos e sensações misturados (da insegurança à solidão, da confiança a um intenso contentamento) vêm à tona de forma torrencial. Depois, o instante em que o indivíduo se dá conta de que o fato é real e, por fim, a aceitação.

“O adeus acontece desde o instante em que resolvo mudar ou inicio a mudança. Até o momento da ruptura, elaboro o que ganho e o que perco e faço gradativamente as despedidas”, afirma a psicóloga Ingrid Esslinger, do Laboratório de Estudos da Morte da USP. “O luto continua, mesmo depois da decisão concretizada. Por isso, é comum que a pessoa se pegue, tempos mais tarde, chorando de saudade ou questionando se aquela opção foi a melhor.”

A nova etapa inevitavelmente trará surpresas, e aqui reside outro obstáculo freqüente na hora de dizer adeus: o medo do desconhecido, do imprevisível. Sair de uma situação esquematizada, largar um parceiro que já conhece seus defeitos, mudar de ambiente – quem não se apavora diante desta ideia? “O adeus traz uma sensação de caos, mas é importante ter claro que se trata de uma reorganização e não de uma desestruturação”, diz Regina Nanô.

Se você passou boa parte de sua existência vivendo para os outros e sem contato consigo mesmo, o espanto será imenso: quem é essa pessoa? Porém, se aprendeu a respeitar seu dharma (termo hindu que designa nossa natureza autêntica, essa condição singular e única que nos faz ser quem somos), as perdas aparentes serão, na verdade, ganhos.

O dharma não muda. “A necessidade de mudança e de dizer adeus a pessoas e situações indica o quanto estamos nos afastando ou nos aproximando dele”, diz Carlos Eduardo Barbosa, estudioso da Índia e professor de sânscrito em São Paulo. Assim, quanto mais sintonia houver entre seu cotidiano e seu dharma, menos despedidas existirão.

Adeus faz bem 2
Fonte: Revista Viver Bem

Programa de exercícios para “Túnel de Carpo”

A Síndrome do Túnel Carpal (STC) é um problema comum no ambiente de trabalho. Ela pode levar a dormência, formigamento, fraqueza ou danos musculares na mão e nos dedos.Tem elevado potencial debilitante e impacto financeiro direto devido a afastamento do trabalho e aumento nos gastos com despesas médicas.

Tradicionalmente, STC é tratada com agentes antiinflamatórios, imobilização da articulação do punho, fisioterapia e cirurgia. Entretanto, muitas destas opções não têm oferecido alívio satisfatório.

Abaixo indicamos Nove Posturas da Yoga, usadas no alívio dessas lesões causadas no cotidiano de trabalho. O programa pode ser realizado em 30 minutos:

*Clique nas imagens para detalhes

1 Dandasana

1 Dandasana

1. Dandasana – sentado em uma cadeira, com o tronco na vertical, pressione as mãos contra o assento. Pressione as escápulas contra as costas e leve os ombros para trás e para baixo. Mantenha a posição por “cinco respirações completas”;

 

 

 

2 Namaskar

2 Namaskar

2. Namakar – com as mãos em posição de prece, una e pressione os dedos das mãos, posicionando-os fora do alinhamento ulnar. Relaxe as mãos e repita o procedimento abrindo os dedos das mãos em leque. Repita dez vezes, pressionando os metacarpos de cada dedo e afastando os dedos das mãos em hiper-extensão;

 

3 Urdhva hastasana

3 Urdhva hastasana

3. Urdhva hastasana – leve os braços para frente e para cima, com as mãos verticais e os cotovelos estendidos. Alongue as laterais do corpo. Mantenha a posição por “cinco respirações completas”;

 

 

 

4 Parvatasana

4 Parvatasana

4. Parvatasana – braços estendidos sobre a cabeça, como os dedos entrelaçados com o polegar direito sobre o esquerdo. Vire as palmas das mãos para fora. Estique os cotovelos. Erga o tronco a partir dos braços e leve os braços para trás. Repita com o polegar esquerdo sobre o direito;

 

 

 

5 Garudasana

5 Garudasana

5. Garudasana – braços entrelaçados em frente do tronco. Dobre seus cotovelos cruzando os braços em frente do peito, flexione os antebraços. Cruze o cotovelo esquerdo sobre o direito e afaste a mão esquerda, cruzando o antebraço esquerdo atrás do direito. Uma as palmas das mãos. Eleve os cotovelos e desça o ombros. Mantenha a posição por “cinco respirações completas”. Repita para o outro lado;

 

6 Tadasana

6 Tadasana

6. Tadasana – em pé, com os maléolos internos unidos e o peso igualmente distribuído sobre os calcanhares internos e externos, erga as patelas. Suba o alto do peito e as clavículas. Mantenha a posição por “cinco respirações completas”;

 

 

7 Ardha Uttanasana

7 Ardha Uttanasana

 

7. Ardha Uttanasana – em pé, com os calcanhares afastados, estenda os braços sobre a cabeça. Flexione o tronco em 90 graus, na altura do quadril e alongue todo o corpo em direção à parede tocando as mãos com a parede. Mantenha a posição por “cinco respirações completas”;

 

8 Paschina namaskar

8 Paschina namaskar

8. Paschima namaskar – em pé, una as mãos atrás das costas com os dedos apontando para baixo. Vire os dedos das mãos para cima e suba as mãos entre as escápulas o mais alto possível, sem separar as mãos. Pressione o quinto dedo e a borda externa das mãos contra as costas e abra o peito. Ombros para trás e para baixo. Mantenha a posição por “cinco respirações completas”; e

9 Relaxamento

9 Relaxamento

 

9. Relaxamento – deite-se com as costas no chão e com os braços ligeiramente afastados do corpo. Palmas das mãos para cima. Calcanhares unidos e artelhos afastados. Feche os olhos, respire profundamente e concentre-se na expiração. Relaxe o maxilar inferior, a língua e os olhos. Fique nesta postura entre 10 a 15 minutos.

Praticar Yoga é buscar a imobilidade de “citta”

Practice, practice and practice”. Essas palavras, com o inigualável sotaque indiano, saem com algumas variações da boca dos mais influentes professores de Yoga no mundo. Para estes verdadeiros yogues, avessos à pregação e aliados do silêncio, a distância que separa perguntas e respostas não é maior que um tapetinho de Yoga. A filosofia, para estes homens, não é uma teoria que pode ser expressa em palavras, mas algo a ser vivenciado.

Iluminese - 1É através das palavras e da lógica do discurso que interagimos com o mundo. E mesmo quando conversamos com os nossos próprios botões, o fazemos com palavras. A dificuldade em construir a ponte entre a prática de Yoga e sua filosofia reside no fato de termos a teoria como um fim em si mesmo e, em não raras vezes, completamente dissociada da experiência.

Para tentar entender o que a prática de Yoga realizada em alguns dos mais conceituados estúdios dos EUA têm a ver com a filosofia ancestral da Índia, o jornalista Nick Rosen empreende uma jornada em direção à pátria do Yoga. No documentário “Enlighten Up!”, o cético jornalista passa a frequentar as aulas de alguns dos mais renomados professores de Yoga dos EUA em busca de respostas. Sharon Gannon, Dharma Mittra, Rodney Yee e Baron Baptiste, dentre outros, parecem aumentar ainda mais suas dúvidas e sedimentar seu ceticismo. Mas é Norman Allen, que por fim, sugere a Nick que viaje à Índia.

Na Índia, Nick percebe que sua jornada é mais longa do que imaginava. Em resposta às dúvidas que leva na bagagem ouve de Sri Pattabhi Jois, criador do ashtanga yoga um sonoro: “pratique, pratique, pratique, pratique e pratique”. Nick viaja até a cidade de Puna, sul da Índia, para encontrar-se com B.K.S. Iyengar, que o recebe na biblioteca de sua escola. Iyengar diz que mesmo tendo sido ele ensinado por um grande filósofo (Krishnamacharya) aprendeu Yoga em um plano estritamente físico e que a filosofia veio tardiamente em sua vida. Em outras palavras, pratique!


Somos “citta” – estamos em constante movimento. Em movimento não há pontos de referência, mas pontos de vista que mudam ao sabor do vento e nos envolve em um mar de afirmações que trespassam passado, futuro e presente. Esse movimento é sem dúvida a matéria-prima de nossos maiores questionamentos e origem de muito sofrimento.

Palavras ponderadas costumam nascer da boca de gurus, religiosos, escritores e professores, em consolo às experiências mais adversas pelas quais passamos na terra. Mas palavras também dançam ao sabor do vento e podem não ser muito eficazes em satisfazer a nossa errática e instintiva busca por mais conhecimento.

Iluminese - 3Praticar Yoga é buscar a imobilidade de “citta, para que possamos distinguir com mais clareza o imperativo do dispensável, o essencial do supérfluo, o necessário do inútil.

Permanecer no ásana (postura de Yoga) é aprender a acender uma vela em um lugar sem vento, para que possamos usufruir com mais eficiência da luz da chama. Calar a mente para poder desfrutar de maior discernimento.

Se por um lado o ocidente desmistificou o discurso, também recriou o sagrado através da construção de hipóteses em busca de respostas. Construímos um mundo de palavras e o discurso ganhou autonomia. Passamos a prescindir da experiência para avançarmos rumo ao desconhecido. Obrigando-nos a começar de um “novo ponto de vista”.

A estabilidade de “citta” deve ser buscada para almejar clareza. A chama da vela precisa parar de tremular ao vento para podermos enxergar. Então, antes de mais nada “pratique, pratique e pratique”.

Movimentos primários do Yoga

Movimentos primários do Yoga

Fonte: Estudio de Yoga & Pilates

Fora dos Trilhos

O maior peso que poderemos carregar é igual ao peso suportado pelo nosso ponto mais fraco. Se nos esquivarmos deste ponto, nascerão desequilíbrios posturais importantes.

Fora dos trilhos - praticar esclada fortalece o conjunto de musculaturasRoubar dos pontos mais suscetíveis o trabalho árduo para entregá-lo aos segmentos mais fortes e estáveis do corpo é uma coisa que fazemos o tempo todo.

Pode-se buscar corrigir este déficit fortalecendo isoladamente os locais comprometidos. É possível até mesmo recrutar algumas poucas fibras de um único músculo através de estímulos elétricos. Não basta, porém, fortalecer o elo mais fraco, é preciso reintegrá-lo à corrente.

Desenvolver partes específicas do corpo é tão dispendioso quanto ineficiente. Na prática, não é possível conceber um corpo capaz de mover-se no espaço pela ação exclusiva de apenas um de seus segmentos. As interações mais distantes são tão relevantes quanto as afinidades mais próximas e diretas. O corpo desintegrado pode apresentar força e mobilidade, mas não expressa coerência.

Quando levantamos um peso, recrutamos muito mais que os músculos diretamente relacionados à tarefa. As estruturas que controlam, estabilizam e mantém o equilíbrio do corpo como um todo são solicitadas. O controle integrado de um posicionamento ou movimento determina a performance funcional.

Fora dos trilhos - crescer demais acarreta problemas motores“Os ganhos de força podem ser conquistados sem mudanças estruturais no músculo, mas não sem adaptações neurais” (Roger Enoka). A força não é uma característica do músculo, mas do sistema nervoso como um todo e, portanto, todo o corpo deve ser objetivado no exercício do movimento.

Nos estúdios e academias de ginástica, os limites impostos ao corpo pelas máquinas, equipamentos e aparelhos têm lugar privilegiado na reabilitação do corpo enfermo. Mas, ao cercearem a amplitude e os planos de movimento, impedem a transferência dos ganhos conquistados para além dos parâmetros trabalhados. Há pouca equivalência entre o ambiente “in vitro” que circunscreve o movimento nestas condições e a imprevisibilidade da vida diária ou da prática esportiva.

Ao buscar a precisão do gesto dentro das infinitas possibilidades do movimento acabam sendo deixados de fora o erro, o desequilíbrio e a imprevisibilidade – variáveis que devem ser incorporados ao exercício na qualidade de instabilidade e assim aproximá-lo do real.

Fora dos trilhos - força muscularQuando o caminho que trilhamos deixa de ser regular e previsível, o automatismo é abandonado e o córtex motor assume a responsabilidade pela manutenção da marcha, abrindo espaço para o aumento do repertório gestual.

Com o aumento das possibilidades para a correção de eventuais desequilíbrios, abre-se caminho para mudanças nas bases sobre as quais o movimento está construído: um melhor posicionamento. O desequilíbrio, nestas condições, muito mais do que evitado, deve fazer parte desse processo.

Fontes: Neuromechanics of Human Movement – 4th EditionTherapeutic Exercise: Foundations and Techniques 5th editionPrinciples of Neural Science –  5th edition, Estúdio Yoga

“Vivemos tempos de Noé” – Leonardo Boff

Aquecimento gera o degelo, que gera inundações

Aquecimento gera o degelo, que gera inundações

Pressintindo que viria um dilúvio, o velho Noé convocava as pessoas para mudarem de vida. Mas ninguém o ouvia. A contrário, “comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento até que veio o dilúvio e os fez perecer a todos”(Lc 17,27; Gn 6-9)

Os 2000 cientistas do IPCC que estudam o clima da Terra são nossos “Noés” atuais. O terceiro e último relatório de 13/4/2014 contém um grave alerta: temos apenas 15 anos para impedir a ultrapassagem de 2 graus C do clima da Terra. Se ultrapassar, conheceremos algo do dilúvio. Ninguém dos 196 chefes de Estado disse qualquer palavra. A grande maioria continua a explorar os bens naturais, negociando, especulando e consumindo sem parar como nos dias de Noé.

Entrevejo três graves irresponsabilidades: 1) a geral e a específica e supina ignorância do Congresso norte-americano que vetou todas as medidas contra o aquecimento global; 2) a manifesta má vontade da maioria dos chefes de Estado; e 3) a falta de criatividade para montar as traves de uma possível Arca salvadora.

Como um louco numa sociedade de “sábios” ouso propor algumas premissas. Se algum mérito possuirem, é o de apontarem para um novo paradigma civilizacional que nos poderá dar outro rumo à história:

1. Completar a razão instrumental-analítica-científica dominante com a inteligência emocional ou cordial. Sem esta não nos comovemos face à devastação da natureza e não nos engajamos para resgatá-la e salvá-la.

2. Passar da simples compreensão de Terra como armazém de recursos para a visão da Terra viva, superorganismo vivo que se autoregula, chamado Gaia.

3. Entender que, como humanos, somos aquela porção da Terra que sente, pensa e ama, cuja missão é cuidar da natureza.

4. Passar do paradigma da conquista/dominação ainda vigente, para o paradigna do cuidado/responsabiidade.

5.Entender que a sustentabilidade só será garantida se respeitarmos os direitos da natureza e da Mãe Terra.

6. Articular o contrato natural feito com a natureza que supõe a reciprocidade inexistente com o contrato social que supõe a colaboração e inclusão de todos, insuficiente.

7. Não existe meio-ambiente mas o ambiente inteiro. O que existe é a comunidade de vida com o mesmo código genético de base,estabelecendo um parentesco entre todos.

8.Abandonar a obsessão pelo crescimento/ desenvolvimento pela redistribuição da riqueza já acumulada.

9.Devemos produzir para atender demandas humanas mas sempre dentro dos limites da Terra e de cada ecossistema.

10.Pôr sob controle a voracidade produtivista e a concorrência sem limites em favor da cooperação e da solidariedade pois todos dependemos uns dos outros.

11.Superar o individualismo pela colaboração entre todos, pois esta é a lógica suprema do processo de evolução.

12. O bem comum humano e natural tem primazia sobre o bem comum particular e corporativo.

13.Passar da ética utilitarista e eficientista para a ética do cuidado e da responsabilidade.

14.Passar do consumismo individualista para a sobriedade compartida. O que nos sobra, falta aos demais.

15. Passar da maximização do crescimento para a otimização da prosperidade a partir dos mais necessitados.

16. Ao invés de permanentemente modernizar, ecologizar todos os saberes e processos produtivos visando tutelar os bens e serviços naturais e dar descanço à natureza e à Terra.

17. Opor   à era do antropoceno que faz do ser humano uma força geofísica destrutiva, pela era ecozóica que ecologiza e inclui todos os seres no grande sistema terrenal e cósmico.

18. Valorizar o capital humano/espiritual inexaurível sobre o capital material exaurível porque o primeiro fornece os critérios para as intervenções responsáveis na natureza e alimenta permanentemente os valores humano-espirituais da solidariedade, do cuidado, do amor e da compaixão, bases para uma sociedade com justiça, equidade e respeito à natureza.

19.Contra a decepção e a depressão provocadas pelas promessas não cumpridas de bem-estar geral feitas pela cultura do capital, alimentar o princípio-esperança, fonte de fantasia criadora, de novas idéias e de utopias viáveis.

20. Crer e testemunhar que, no fim de tudo, o bem triunfará sobre a mal, a verdade sobre a mentira e o amor sobre a indiferença. Um pouco de luz poderá espancar uma imensidão de trevas.

Leonardo Boff

Leonardo Boff – doutorado em teologia pela Universidade de Munique. Foi professor de teologia sistemática e ecumênica com os Franciscanos em Petrópolis e depois professor de ética, filosofia da religião e de ecologia filosófica na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Fonte: site Leonardo Boff