A riqueza de movimentos disponíveis

 Desenvolvendo nossa conduta motora

Todos nós temos um potencial latente que não é desenvolvido por completo. Acumulado por causa do esgotamento de sistemas mais econômicos e confortáveis. De maneira geral, apoiamos nosso desenvolvimento sobre estruturas mais convenientes, repetindo padrões de movimento. Algo que leva à exaustão.

Riqueza de movimentos - escalada 4

No caminho da ação, podemos nos perder nos enganos. Tudo sem contar com a riqueza de movimentos disponíveis. Nossa conduta motora está dominada por atividades automáticas, que acabam sendo executadas de forma inconsciente. Isso pode ainda, ser reforçado e consolidado pelo tempo.

Sulcos na cabeça do úmero evidenciam desgaste em função dos tendões que cruzam a articulação

Sulcos na cabeça do úmero evidenciam desgaste em função dos tendões que cruzam a articulação

Muitas vezes, um movimento não é deturpado durante sua realização, mas em sua concepção. Por não participar de nosso cotidiano, determinado movimento, simplesmente não é praticado e, portanto, a chance de realizá-lo é nula.

Riqueza de movimentos - escalada 1O desenvolvimento do potencial motor passa, necessariamente, pelo aumento de seu repertório.     

Atividades físicas que exploram a riqueza e a diversidade de movimentos, não são garantias de alteração na maneira como respondemos aos desafios propostos. Tampouco, uma mudança nos padrões adquiridos. Sem a nossa intervenção deliberada, percorreremos sempre o mesmo atalho, ainda que de maneiras diferentes e de acordo com a natureza da atividade física proposta.

Trilhar um caminho realmente diferente e sem obstruções, requer disciplina para abrir uma picada em meio a padrões consolidados e enfrentar percursos mais longos e tortuosos.

Riqueza de movimentos - escalada 2O desenvolvimento motor tem início pela estabilização da cabeça, do tronco e dos membros, seguindo uma direção cervico-caudal. Mas a aprendizagem de movimentos coordenados, segue o caminho inverso: das extremidades do corpo em direção à cabeça.

Desde nosso desenvolvimento embrionário, a posição da cabeça influi no movimento total do corpo. Virar a cabeça para o lado e olhar um objeto leva imediatamente o pescoço, os ombros e o tronco na mesma direção. Quando agarramos o objeto, são os dedos das mãos que irão recrutar cotovelos, ombros e tronco para movimentá-lo. O caminho de ida é diferente do caminho de volta.

O movimento irradiado a partir das extremidades do corpo, onde estruturas delicadas contam com grande mobilidade e precisão, interfere na organização de estruturas mais fortes, responsáveis pela manutenção postural.

Charles Sherrington - Nobel Fisiologia 1932

Charles Sherrington – Nobel Fisiologia 1932

“Dispositivos complexos como as mãos e os pés, reorganizam o movimento global do corpo. Conectam-se as unidades de transição como os ombros, quadris e escápulas, promovendo mudanças profundas na maneira como nos relacionamos com o espaço. A propagação de um movimento voluntário para outro, não é algo causal e segue um padrão específico dos grupos musculares” Charles Sherrington

A inclusão das extremidades do corpo, no aumento do repertório somático, possibilita a aprendizagem de movimentos antes desconhecidos. Só então, com uma atividade física que explore a riqueza de movimentos, poderão ser feitas mudanças de fato.

Eu não sei respirar

La jaunisse, illus. A. Dahan (Le Livre de Sante, v.6, 1967)

La jaunisse, illus. A. Dahan (Le Livre de Sante, v.6, 1967)

A pele estabelece a primeira fronteira entre nós e o mundo. Da distinção entre o corpo e seu entorno, surge aquilo que passaremos a chamar de “eu”.  Assim, os órgãos do sentido farão a ponte que atualiza, redefine e forja as representações que fazemos do meio, fornecendo a matéria-prima para a memória, o raciocínio e o pensamento.

O input sensorial não se limita apenas aos receptores que se encontram nos órgãos sensoriais. Quimioreceptores monitoram continuamente a concentração de oxigênio no sangue e determinam alterações na frequência e profundidade da respiração. Proprioceptores encontrados nos fusos musculares, tendões e articulações discriminam a posição e o movimento articular. Barorreceptores presentes no arco aórtico distinguem a pressão arterial pela distensão vascular. Os neurônios entéricos mantêm a coordenação das funções digestivas em harmonia com os comandos recebidos do sistema nervoso central.

Não ter controle sobre processos inconscientes, enfim, não implica em afirmar que estes processos não influem na consciência. Podemos afirmar com tranquilidade que tato, olfato, audição, paladar e visão representam uma fração das informações que irão alimentar nossas representações, corroborando ou invalidando aquilo que, na maioria das vezes, já percebemos ou sabemos por outras vias.

A ideia de alteridade em relação ao mundo, não é tão explícita quanto a apresentada pela nossa constituição física.  A pele não é uma trincheira cavada entre o corpo e o mundo, mas um contorno difuso, uma maneira de nos organizarmos nos espaço. Interagimos profundamente com o meio, sofrendo e promovendo mudanças, sentindo dor, bem-estar, tensão, desconforto, etc., e reagindo aos estímulos recebidos.  É a integração de informações provenientes de diversos canais, que irão costurar os segmentos e órgãos do corpo em um indivíduo unificado.

Movimentos Respiratórios

Movimentos Respiratórios

A precisão das informações sobre o estado interno do organismo é um componente crítico para a preservação da saúde e relaciona-se diretamente com o equilíbrio geral do organismo (homeostase).  Assim como deixamos de enxergar ao apagar das luzes, ruídos nos sinais que vêm de dentro do corpo levam-nos a desenvolver uma experiência alterada em relação a nós mesmos.  Sentir dores sem lesão associada ou potencial, ter medo sem estar sob ameaça ou sentir falta de ar sem comprometimento respiratório, apontam para o colapso da experiência subjetiva.

Não há praticamente como interferir de maneira deliberada em processos não-conscientes, refazendo o caminho entre instâncias cognitivas e nosso estado interno. Mas podemos detalhar parte daquilo que fazemos de maneira reflexa, no intuito limpar os ruídos que interferem em nossa relação com o próprio corpo, aprimorando nossa consciência corporal.

Neste contexto, a respiração é um ato privilegiado onde a ação voluntária e a metabólica (involuntária) coexistem. A congruência entre o automático e o somático no sistema respiratório, apresenta um ambiente propício para melhorar a interpretação dos impulsos que vêm de dentro do corpo.

Não é possível dissociar respiração e postura. A eficiência da primeira depende do equilíbrio da última. 

Building Blocks of Nervous Systems, illus. Paul Slick

Building Blocks of Nervous Systems, illus. Paul Slick

As práticas de Yoga e Pilates incorporam sistematicamente em seus exercícios o controle sobre a ventilação pulmonar. Restringindo, sincronizando e modificando padrões autômatos. Aprendemos, através da interferência nos processos reflexos, a aprimorar os sentidos sobre a condição fisiológica de todo o corpo.

Chamadas de Pranayama, as práticas de controle respiratório têm objetivos específicos, mas em princípio, todas demandam atenção e disciplina. “Pranayama é uma arte e depende de técnicas para fazer com que os órgãos do sistema respiratório movam-se intencionalmente, ritimadamente e intensamente”  – B.K.S. Yengar.

O Mantra de Pilates

A frase “contraia o abdome”, que soa feito um mantra nas aulas de Pilates, pode ser muito mal interpretada. A força na musculatura abdominal é fundamental nos treinos de musculação, seções de fisioterapia, além de várias atividades físicas para estabilizar a coluna. Acionados corretamente, os abdominais irão aumentar a integração do core, sustentar a coluna e dar liberdade de movimento ao corpo. 

Músculos do Abdomen

Músculos do Abdome

O significado de “contraia o abdome” difere de frases como “segure o abdome” ou “afunde o abdome”, tão ouvidas em aulas de localizada e em outros cenários fitness. Em Pilates, procura-se criar força e equilíbrio para estabilizar o movimento. Esse alicerce é criado requisitando músculos do assoalho pélvico e musculatura profunda do abdome, integrando-os eficientemente ao corpo.

Pilates coloca ênfase no trabalho da musculatura profunda do abdome, como o transverso e os músculos do assoalho pélvico. Esses músculos podem ser fracos mesmo em praticantes vorazes de abdominais, que focam na musculatura superficial do abdome, como o famoso reto-abdominal, intensificando o desequilíbrio no corpo.

Expressões como “puxe seu umbigo em direção à coluna” ou “finja que você levou um soco no estômago” são frequentemente usadas para encorajar uma contração profunda da musculatura abdominal. Essas instruções costumam ser mal interpretadas, pois colocam ênfase na região da cintura e podem aumentar o desequilíbrio da flexão do tronco sobre a região pélvica. A mecânica do movimento não está em estabilizar o core a partir do umbigo, mas em engajar os músculos do assoalho pélvico para um movimento estável.

O trabalho da musculatura do assoalho pélvico não é indicado apenas para mulheres em trabalho de parto. O envolvimento desta musculatura é crítica para estabilidade dos movimentos de qualquer pessoa. O praticante deve sentir que seu assoalho pélvico está sendo puxado para cima e para o centro. Pode-se imaginar que os ísquios estejam sendo puxados ao mesmo tempo. Esse exercício é similar aos propostos por Kegel*, a diferença está na intensidade. Em Kegels uma pessoa está totalmente focada no assoalho pélvico e puxá-lo para cima pode ser mais intenso e o tempo de permanência pode ser maior do que em exercícios que envolvem o corpo todo.

 

MÚSCULO PUBIOCOCCÍGEO* (PC) – “MÚSCULOS DE KEGEL”

Mantra do Pilates - Músculo PélvicoEmbora o Dr. Arnold Kegel aperfeiçoou e popularizou estes exercícios, a sua prática já era conhecida dos Taoístas da China antiga. Estes desenvolveram os exercícios com vista a melhorar a saúde, a longevidade, a gratificação sexual e o desenvolvimento espiritual.

Depois de engajar corretamente o assoalho pélvico, a contração deve começar imediatamente acima do osso púbico, no baixo abdome. Deste ponto, a contração sobe em direção às costelas, alongando o abdome e aproximando o umbigo da coluna. Este movimento não é tão óbvio e sequencial quanto parece, mas a consciência “base-topo” é a melhor maneira de realizar o movimento correto. Isso envolve a musculatura lateral do abdome, da crista-ilíaca em direção às costelas flutuantes.

A contração abdominal é geralmente executada com uma coluna neutra. Isso significa que a prática não deve levar a flexões, rotações ou hiper-extensões indesejadas da coluna. Como nos exercícios abdominais, é essencial manter as costas alongadas à medida que os músculos da frente são requisitados. A prática de Pilates exige flexões e rotações da lombar, mas estas ações atendem a propósitos específicos. A intenção inicial deve ser sempre preservar a curva natural das costas.

“Se eu contraio o abdome como eu respiro”? É uma pergunta bastante frequente. Normalmente usamos uma pequena parte de nossa capacidade respiratória e tendemos a mobilizar a parte da frente do abdome para realizá-la. Em Pilates usa-se a respiração para expandir as laterais e as costas. Realizar o movimento com essa consciência aumenta muito o espaço para respirar e ajuda a expandir e alongar o corpo.

Mantra do Pilates - Abdomen contraídoEm Pilates, assim como em outros sistemas, a contração abdominal pode ser usada como uma ferramenta de treinamento. Músculos abdominais fortes organizam melhor qualquer movimento, atlético ou cotidiano. Isso não quer dizer que sua musculatura abdominal deve ser acionada o tempo todo. A ideia é que os músculos do core tornem-se mais fortes e ágeis para responder com eficiência, quando forem solicitados. Você não precisa andar com a musculatura do abdome contraída o dia todo.

A contração dos músculos abdominais é uma pequena parte do desenvolvimento da força e dos movimentos em Pilates. Deve-se olhar para o corpo, para a respiração e a ampliação da consciência corporal para usufruir de todos os benefícios do sistema.

Visão e equilíbrio – Via de mão dupla

Dançamos, pulamos, corremos, movimentamos nosso corpo nas três dimensões do espaço. Enquanto isso, nossa cabeça permanece relativamente imóvel, desfrutando de certa calmaria. Para o bom funcionamento de nosso organismo, a cabeça é mantida com maior independência dos movimentos do corpo. A cabeça, continuamente requisita informações sobre nossa posição no espaço. O corpo, porém, só participa definitivamente como integrante deste mesmo espaço em virtude do sentido da visão. Um bom exemplo dessa situação, está no clipe da música Jigsaw Falling Into Place (banda Radiohead). Clique aqui no link:

  

O sistema visual está conectado aos sensores de posição desde o início de nossa gestação. Intimamente relacionado aos músculos posturais, o sentido da visão tem a tarefa de manter o mundo estável. O que leva aos ajustes necessários nos olhos, na cabeça e na postura para compensar as mudanças no fluxo óptico que acompanham as alterações de movimento. A visão é fonte direta de informações sobre o próprio corpo e ajuda a ligar nossa imagem ao ambiente que estamos. Podemos nos enxergar no espaço e calibrar continuamente o sistema motor. Esse aspecto perceptivo contribui para a construção da própria imagem.

Equilíbrio Via de mão dupla - pela janela do carroA interpretação das informações visuais sobre o movimento no espaçovisão conscientefornece dados de como o corpo se relaciona com o ambiente. Desta maneira, educa o corpo, desempenhando forte papel postural. Com frequência, a propriocepção visual se sobrepõe ao sistema vestibular e leva a um senso de movimento equivocado. Exemplo disso, quando você está parado no trânsito e o carro ao lado começa um movimento a frente, você tem a súbita impressão que seu carro está se movendo em marcha ré. As informações recebidas dos órgãos dos sentidos e interpretadas à luz da consciência sofrem interferência da própria consciência. É fácil constatar a dificuldade que sentimos em nos concentrar quando estamos preocupados, agitados ou assustados. Nestas condições, deixamos de ouvir alguém que nos fala diretamente, não enxergamos um objeto à nossa frente e sofremos os reflexos posturais desta situação. Se por um lado, o movimento é influenciado pela consciência e pelas emoções, por outro lado, definirá a maneira como nos tornamos conscientes de nós mesmos. Contribuirá não apenas para organizar o desenvolvimento das estruturas neurais (nossa ação motora), mas também, ajudará na forma como nos comunicamos com os outros e nos relacionamos com o ambiente. A “corporificação molda a mente” (Shaun Gallagher, 2005) e pode tornar-se forte aliado na reversão de um processo de déficit de atenção ou distração, por exemplo. Equilíbrio Via de mão dupla - 1A interferência de nossa visão sobre nossa postura é óbvia. Para manter o equilíbrio, buscamos continuamente pontos referência no ambiente. Assim, podemos ancorar nosso olhar.  Durante a execução de posturas de equilíbrio na Yoga (ardha-chandrasana, vriksasana ou virabhadrasana III), evidenciamos a dependência da estabilidade óptica no equilíbrio postural. Assim como, diminuímos a influência da concentração na manutenção destas posturas.  Funciona como uma mão de via dupla, a execução destas posturas exigirá que deixemos de lado toda a série de estímulos capazes de interferir na realização destas posturas, selecionando e aperfeiçoando nossa capacidade de focar. Qualquer parte do corpo pode ser trazida à luz da consciência. Também, pode deixar de depender de nossa intervenção para  seu funcionamento. O corpo começa a trabalhar sozinho, mantendo a postura e governando os movimentos com base nas inúmeras fontes de informação. Assim, uma pessoa normal e saudável poderá esquecer-se de seu corpo durante boa parte de sua rotina diária. O corpo cuida de si mesmo e, desta maneira, libera o sujeito para que, com facilidade, dedique-se a outros aspectos práticos de sua vida.

Yoga no tratamento de STC (Síndrome do Túnel Carpal)

STC Sindrome do túnel carpal - capaA Síndrome do Túnel Carpal (STC) é um problema comum no ambiente de trabalho. Ela pode levar a dormência, formigamento, fraqueza ou danos musculares na mão e nos dedos.Tem elevado potencial debilitante e impacto financeiro direto devido a afastamento do trabalho e aumento nos gastos com despesas médicas.

Tradicionalmente, STC é tratada com agentes antiinflamatórios, imobilização da articulação do punho, fisioterapia e cirurgia. Entretanto, muitas destas opções não têm oferecido alívio satisfatório.

Estudo realizado pela Geriatric Center of the University of Pennsylvania, reuniu dados de 51 pacientes e foi aprovado pelo conselho da Presbyterian Medical Center, Philadelphia (22 de dezembro de 2009). Nele, foi demonstrado aumento na amplitude de movimento e redução da dor durante a atividade, em pacientes com osteoartrite que realizaram um programa de Yoga.

STC Sindrome do túnel carpal - AlongamentoA prática de Yoga mostrou-se eficiente porque o alongamento na região afetada alivia a compressão no túnel carpal. Ao determinar uma melhor posição articular, os exercícios diminuem a compressão intermitente, aumentando o fluxo sanguíneo que reduz a isquemia do nervo medial.

Neste artigo foram apresentados os resultados de uma intervenção usando o Modelo de Controle Aleatório (RTC) com técnicas de Yoga especificamente aplicadas para o tratamento de pacientes com Síndrome do Tunel Carpal.

Os participantes da pesquisa foram divididos em dois grupos. O grupo de controle recebeu o tratamento tradicional, enquanto o grupo de Yoga recebeu uma intervenção baseada em posturas que objetivavam aumentar a flexibilidade e corrigir o alinhamento do membro superior e aumentar a percepção sobre a posição articular das mãos.

O estudo usou a abordagem proposta por B.K.S Iyengar, mestre de hatha yoga que enfatiza o alinhamento estrutural do corpo. O método é ordenado e progressivo e as posturas foram adaptadas para atender as condições dos participantes. A partir de posturas de Yoga (ásanas), a postura habitual pode ser melhorada. Quando o alinhamento músculo-esquelético melhora, a habilidade para realizar o ásana também melhora. Os benefícios potenciais deste método incluem aumento da força, coordenação motora e flexibilidade.

STC Sindrome do túnel carpal - punhoA sequência usada neste estudo foi elaborada para atender indivíduos com STC. Os exercícios foram realizados com indivíduos na posição em pé ou sentados, com o objetivo de levar as articulações envolvidas a sua maior amplitude de movimento, com alongamento, força e equilíbrio. Toda sessão terminou com uma sessão de relaxamento em que o corpo permaneceu imóvel (savasana). O programa foi ministrado em aulas com duração entre 1 e 1 ½ hora, duas vezes por semana, por 8 semanas.

Os pacientes no grupo de Yoga tiveram significante acréscimo na força das mãos e redução na dor. Neste estudo, um programa sem o uso de remédios, equipamentos ou cirurgia, reduziu a dor e aumentou a força nas mãos dos pacientes. Ainda que não tenha sido estudado aqui, um programa supervisionado não é útil apenas para tratar os sintomas, mas também prevenir que os sintomas voltem a ocorrer. Muitos dos pacientes estudados relataram que apresentaram melhoras mesmo depois do fim do tratamento, durante as quatro semanas que se seguiram após o tratamento.

Sexta feira 13

Freya

Freya

Há um mito de que quando o cristianismo chegou e os deuses nórdicos foram expulsos, Freya foi declarada uma bruxa. Acredita-se que ela fugiu para reunir-se com outras doze bruxas em seu santuário, perfazendo um total de 13, no dia nomeado em homenagem a ela, a sexta-feira (Friday).

Outros textos dizem que “Friday the 13th” é tradicionalmente um momento em que os antigos iriam tirar o dia para fazer amor em honra ao Dia de Freya e as 13 luas do calendário lunar. 
Que tal recuperarmos o poder do 13 ao invés de achar que é apenas um dia de azar? Recupere sua conexão com os ciclos naturais, com os ciclos da lua, os ciclos da terra e os ciclos do cosmos. Ao se reconectar com os ciclos naturais, você se reconecta à sua energia natural, a sua ligação autêntica com seu eu superior e sua fonte de energia .

“Amar a si mesmo e aqueles ao nosso redor para honrar este tempo da velha tradição”

Roberta Thomaz Bruscagin (Udaya)– Professora e massagista

Abalos Sísmicos

“Refinamento é inevitável quando você mede um fenômeno por um longo período de tempo” – Charles Francis Rischter

William Cheselden, Osteographia 1733

William Cheselden, Osteographia 1733

As mudanças estruturais não nascem do alongamento intenso, exigido para explorar o movimento em toda sua amplitude, ou da energia gasta para levantar grande quantidade de peso. Transformações de fato têm seu lugar nos níveis mais profundos do corpo, onde reside o início de toda ação.

Sobrevive na origem do movimento a postura nuclear, onde o menor abalo engendra mudanças exponenciais por todo o corpo. São as alterações na raiz da ação aquelas que, antes de qualquer outra, respondem aos desafios impostos pela vontade e carregam em si a gênese da mudança.

Cada músculo do corpo guarda profunda, identidade com o trabalho para o qual foi designado. Carrega uma missão, uma incumbência que evidencia sua especificidade. Recrutar músculos superficiais para assumir funções posturais, ou atribuir a músculos posturais e profundos a responsabilidade pelo levantamento de peso, por exemplo, podem ser erros caros ao corpo. Além do elevado custo energético e do desgaste precoce que esta perspectiva promove.

Postura de apoio unipodal (vriksasana). Atividade assimétrica na musculatura lombar

Postura de apoio unipodal (vriksasana). Atividade assimétrica na musculatura lombar

 “Trabalhar a postura” significa, trabalhar posturalmente. Para acessar o eixo em torno do qual se desenrola o movimento, é preciso buscar o equilíbrio inerente a sua estrutura e enfatizar a estabilidade no cerne da ação.

Desta maneira, “como fazer” tem primazia sobre “o que fazer”. Os predicados da força – e não a força em si – têm o poder para promover e perpetuar mudanças.

A mobilização simultânea de articulações e músculos em múltiplos planos – e não a ação de um músculo isolado em um plano único do movimento – evidencia o denominador comum a toda ação. Integra todo o corpo em torno do próprio eixo ao invés de desagregá-lo.

A constância, a continuidade e a virtual imobilidade que constituem o equilíbrio postural. Indicam que a ênfase no tempo de permanência, muito mais que nas séries de repetição, cria as condições de acesso necessárias aos padrões posturais.

Postura invertida de apoio sobre os ombros (salamba sarvangasana).  Análise da atividade muscular (EMG) da região lombar

Postura invertida de apoio sobre os ombros (salamba sarvangasana). Análise da atividade muscular (EMG) da região lombar

A atividade muscular não diminui devido à imobilidade do corpo, mas em resposta à melhora do equilíbrio postural. Em desequilíbrio, o corpo recruta grande quantidade de força para manter a estabilidade. Se fraco, debruça-se sobre a própria estrutura para evitar o colapso. Equilíbrio e força expressam-se inversamente no corpo: a ausência de um, aumenta a dependência do outro.

A sintaxe entre o movimento e sua estrutura instala-se quando os ruídos e maneirismos do corpo se dissipam à luz do detalhe e do respeito à singularidade do indivíduo. Uma atividade física suave pode ser tão palatável quanto inócua. Se extenuante, tão cansativa quanto estúpida.

Grandezas inversas no corpo, força e equilíbrio requerem, enfim, a intervenção da inteligência para sua simbiose.

A atenção voltada ao movimento – e não para fora dele – lança as bases para o aprendizado psicossomático: chave para a sintonia fina entre conteúdo e expressão, motor de mudanças profundas e definitivas.

Sinal EMG bruto do longuíssimo do dorso em salamba sarvangasana

Sinal EMG bruto do longuíssimo do dorso em salamba sarvangasana